Ozimar de Araújo está nos corredores do HE desde o dia 15, acompanhado da esposa Celina Santana | Foto: Jorge Abreu/G1
Doentes “internados” nos corredores, falta de medicamentos, de materiais básicos e a suspensão de exames são alguns dos problemas enfrentados por pacientes e acompanhantes no Hospital de Emergência (HE) de Macapá, o maior pronto-socorro do Amapá.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que os pacientes nos corredores decorrem da alta demanda de atendimento. A pasta destaca que trabalha com uma comissão de técnicos que desenvolvem estudos para a construção de um novo hospital, na Zona Norte.
Já em relação aos medicamentos e materiais, como luvas, máscaras, seringas e escalpes, a compra já foi efetuada. Sobre os exames, a expectativa da Sesa é que as atividades sejam normalizadas ainda nesta semana.
Enquanto nenhum desses problemas é resolvido, os pacientes e acompanhantes relatam que precisam comprar os próprios materiais e remédios para manter o tratamento dos pacientes, fora os custos com a realização de exames em clínicas particulares.
O autônomo Jorge Ivan Moraes, de 41 anos, acompanha a esposa Gilmara de Jesus, de 29, que está internada há duas semanas após descobrir um tumor na região do reto. Indignado com a realidade que encontrou no HE, ele filmou atendimentos feitos nos corredores.
“Essa situação é muito triste e todos os pacientes estão passando por isso. O pronto-socorro não tem antibióticos, não tem luvas, não tem máscaras e outros materiais. Os exames estão suspensos. Isso é deplorável”, disse, revoltado.
Moraes destaca que tem gastado dinheiro com transporte atrás de exames e medicamentos, além dos custos das compras e pagamentos de serviço médico particular. O autônomo disse que pretende entrar com uma ação judicial por causa do constrangimento que tem passado com a esposa.
“Vamos entrar com uma ação na Justiça para pedir uma intervenção do Ministério Público, para fiscalizar e mostrar a situação desumana no Hospital de Emergência. Os corredores estão lotados e algumas salas não tem climatização”, continuou.
Ozimar de Araújo, de 53 anos, veio do Bailique receber atendimento no HE depois de ter tido crises com fortes dores nos rins. Internado desde o dia 15, ele conta que passou todo esse tempo recebendo atendimentos nos corredores.
“A gente fica aqui, pelo corredor, sem maca, não tem leito. Eu vim do Bailique, cheguei meia-noite [do dia 15], fui atendido, passou a dor e fui mandado pra casa, mas eu questionei o médico para eu passar por uma tomografia e saber o que, de verdade, eu tenho”, falou.
Esposa de Araújo, a dona de casa Celina Santana, de 53 anos, conta que teve de comprar escalpe e seringa para o marido receber a medicação para dor. Para ela, a situação dos pacientes é de sofrimento e angustia.
“Todos estão precisando comprar escalpe e seringa. Eu pude ver de perto o descaso com o ser humano pobre. Pra mim é a coisa mais triste viver com esses pacientes aqui. Quando a gente ouve falarem por aí sobre essa situação, não acredita, mas agora sinto na pele”, lamentou Celina.
Por: Jorge Abreu | Fonte: G1
